domingo, 4 de março de 2012

Terceiro e quarto dias da festa no Jacaré com uma girafa núbia convidada por Carlos Drummond de Andrade

No terceiro dia da festa de aniversário, Jacaré foi comemorar numa rede com Ascenso Ferreira

Gustave Courbet (1819-1877)


Hora de comer — comer!
Hora de dormir — dormir!
Hora de vadiar — vadiar!

Hora de trabalhar?
— Pernas pro ar que ninguém é de ferro!

No quarto dia da festa de aniversário, como é domingo, Jacaré irá ao Jardim Zoológico tomar um gole com uns amigos árabes e uma girafa e beber leite de vaca egipícia

Agasse - 1827 - A girafa núbia

Clarisse Lespector, vendo Jacaré com a girafa, assim lhe soprou ao ouvido:

O telefone é como a girafa: nunca se deita. E, apesar de ser usual, é como a girafa: inusitado.

Carlos Drummond, atento, sabedor das conversas, veio à página :

Precisavas de uma girafa indubitável para o ofício do amor... Mas que tenhas uma girafa núbil

e domingo é p'ra vadiar com Clementina de Jesus e Clara Nunes

Não vadeia Clementina
Fui feita pra vadiar
Não vadeia, Clementina
Fui feita pra vadiar, eu vou…

Vou vadiar, vou vadiar, vou vadiar, eu vou
Vou vadiar, vou vadiar, vou vadiar, eu vou

Energia nuclear
O homem subiu à lua
É o que se ouve falar
Mas a fome continua

É o progresso, tia Clementina
Trouxe tanta confusão
Um litro de gasolina
Por cem gramas de feijão

Não vadeia Clementina
Fui feita pra vadiar
Não vadeia, Clementina
Fui feita pra vadiar, eu vou…

Vou vadiar, vou vadiar, vou vadiar, eu vou
Vou vadiar, vou vadiar, vou vadiar, eu vou

Cadê o cantar dos passarinhos
Ar puro não encontro mais não
É o preço que o progresso
Paga com a poluição

O homem é civilizado
A sociedade é que faz sua imagem
Mas tem muito diplomado
Que é pior do que selvagem

vadiemos pois, assim falou Jacaré !

Um comentário:

  1. A Vila ouve o Villa nessa tarde de verão. O bom é que no final tudo encontra seu lugar, tudo dá certo.

    Leila Sales.

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