sábado, 22 de julho de 2017

É hoje a festa do São João do Jacaré com xote, xaxado e baião



Venham todos com roupas coloridas de alegria, assim falou Jacaré



Sábado 22 de julho
de 18 às 22 horas
sob a luz da lua
 Visconde de Abaeté com Torres Homem 
 Vila Isabel

Ao som de zabumba, sanfona e triângulo ao vivo



A faixa na esquina é sinal de festa boa do Jacaré,
 
Assim como o mandacaru fulôra na seca

É o sinal que a chuva chega no sertão


Ela só quer
Só pensa em namorar
Ela só quer
Só pensa em namorar...

De manhã cedo já tá pintada
Só vive suspirando sonhando acordada
O pai leva ao dotô a filha adoentada
Não come, nem estuda
Não dorme, e nem quer nada...

E por falar em namorar, Jacaré recorda as festas de São João de 2010 e 2011


 Eta, agora o canto é do xodó com Dominguinhos para as jacarenses dos lindos sorrisos


Que falta eu sinto de um bem
Que falta me faz um xodó
Mas como eu não tenho ninguém
Eu levo a vida assim tão só
Eu só quero um amor
Que acabe o meu sofrer
Um xodó pra mim
Do meu jeito assim
Que alegre o meu viver


Dentre as milhares de cartas que chegaram para o editor, uma reclama que Jacaré não trouxe para a festa os modernistas Tarsila do Amaral e Cícero Dias,

Pois Tarsila mora no peito dos jacarenses como mostra a camiseta abaixo, com Abaporu. 

Cícero Dias acaba de chegar com sua zabumba estilizada: 




E p'ra provar que a festa vai ser boa, mandacaru fluorou:


Agora o editor do Jacaré vai picar a mula pois a festa está a chegar.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Anita Malfatti e outros modernistas virão ao São João do Jacaré nesse sábado de 22 de julho


Anita Malfatti enviou duas pinturas para enfeitar a efeméride, com intervalo a viajar de bonde com Oswald de Andrade

Sábado 22 de julho
de 18 às 23 horas
Esquina de Visconde de Abaeté com Torres Homem

Ao som de zabumba, sanfona e triângulo ao vivo


Festas de São João, Anita Malfatti

Bonde

O transatlântico mesclado
Dlendlena e esguicha luz
Postretutas e famias sacolejam

E Oswald nos leva a passear pela cidade a caminha da festa de São João do Jocaré

Festas de São João, Anita Malfatti




Cidade
Foguetes pipocam o céu quando em quando
Há uma moça magra que entrou no cinema
Vestida pela última fita
Conversas no jardim onde crescem bancos
Sapos
Olha
A iluminação é de hulha branca
Mamães estão chamando
A orquestra rabecoa na mata

 

Lamartine Babo mandou uma música feita especialmente para a festa: 





Chegou a hora da fogueira!
É noite de São João...
O céu fica todo iluminado
Fica o céu todo estrelado
Pintadinho de balão...
Pensando na cabocla a noite inteira
Também fica uma fogueira
Dentro do meu coração...

Quando eu era pequenino
De pé no chão
Eu cortava papel fino
Pra fazer balão...
E o balão ia subindo
Para o azul da imensidão...
 
Di Cavalcanti também pintou em saudação à festa









E Raul Bopp fez uns versos p´ra Pagu alusivos ao São João do Jacaré



Pagu tem os olhos moles
uns olhos de fazer doer.
Bate-côco quando passa.
Coração pega a bater.

Eh Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.





 
Daí o casamento foi formado ao som de Lamartine Babo, jacarense de coração:
 
Eu pedi numa oração
Ao querido São João
Que me desse um matrimônio.
São João disse que não!
São João disse que não!
Isto é lá com Santo Antônio!
Eu pedi numa oração
Ao querido São João
Que me desse um matrimônio.
Matrimônio! Matrimônio!
Isto é lá com Santo Antônio!
Implorei a São João
Desse ao menos um cartão,
Que eu levava a Santo Antônio.
São João ficou zangado.
São João só dá cartão
Com direito a batizado.
Implorei a São João
Desse ao menos um cartão,
Que eu levava a Santo Antônio.
Matrimônio! Matrimônio!
Isso é lá com Santo Antônio!
São João não me atendendo,
A São Pedro fui correndo
Nos portões do paraíso.
Disse o velho num sorriso:
"Minha gente, eu sou chaveiro,
Nunca fui casamenteiro!"
São João não me atendendo
A São Pedro fui correndo
Nos portões do paraíso.
Matrimônio! Matrimônio!




Isso é lá com Santo Antônio!


à festa  à festa à festa à festa à festa à festa à festa à festa à festa à festa à festa à festa







domingo, 16 de julho de 2017

São João do Jacaré dia 22 de julho à luz da lua em Vila Isabel na rua


O forró do Eu sou eu, jacaré é bicho d´água será assim:

Sábado 22 de julho
de 18 às 23 horas
Esquina de Visconde de Abaeté com Torres Homem

Ao som de zabumba, sanfona e triângulo ao vivo




Festas juninas ou festas dos santos populares são celebrações que acontecem em vários países historicamente relacionadas com a festa pagã do solstício de verão, que era celebrada no dia 24 de junho, segundo o calendário juliano (pré-gregoriano) e cristianizada na Idade Média como "festa de São João".



 

Olha pro céu meu amor
Veja como ele está lindo
Olha pra'quele balão multicor
Que lá no céu vai sumindo
Foi numa noite
Igual a esta
Que tu me deste
O teu coração

O céu estava
Todinho em festa
Pois era noite de São João
Havia balões no ar
Xote e baião no salão
E no terreiro o seu olhar
Que incendiou meu coração



 E agora Jacaré, de Caruaru, mostra como será a quadrilha na nossa esquina: 




Vai ter xote, assim falou Jacaré com Alceu Valença  cantando João do Vale 



 Pisa na fulô, pisa na fulô
Pisa na fulô
Não maltrata o meu amor

Um dia desses
Fui dançar lá em Pedreiras
Na rua da Golada
Eu gostei da brincadeira
Zé Cachngá era o tocador
Mas só tocava
Pisa na fulô

...

Pisa na fulô, pisa na fulô...
De magrugada Zeca Cachangá
Disse ao dono da casa
"Não precisa me pagar
Mas por favor
Arranja outro tocador
Que eu também quero
Pisa na fulô"

  Vai ter xaxado também com Luiz Gonzaga e os cabra de Lampião no  filme Hoje o Galo Sou Eu de 1958



E vai ter baião com Gonzaguinha falando como Luiz Gonzaga inventou a zabumba e triângulo:

Como se dança o baião
E quem quiser aprender
É favor presta atenção
Morena chegue pra cá,
Bem junto ao meu coração
Agora é só me seguir
Pois eu vou dançar o baião

...



A festa homenagerá o jacarense Aldo que partiu para dançar quadrilha com São João e que Drummond lhe fez esses versos como se vê na foto abaixo:



Quando nasci, um anjo torto
Desses que vivem na sombra
Disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida

As casas espiam os homens
Que correm atrás de mulheres
A tarde talvez fosse azul
Não houvesse tantos desejos

O bonde passa cheio de pernas
Pernas brancas pretas amarelas
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração
Porém meus olhos
Não perguntam nada

O homem atrás do bigode
É sério, simples e forte
Quase não conversa
Tem poucos, raros amigos
O homem atrás dos óculos e do bigode

Meu Deus, por que me abandonaste
Se sabias que eu não era Deus
Se sabias que eu era fraco

Mundo mundo vasto mundo
Se eu me chamasse Raimundo
Seria uma rima, não seria uma solução
Mundo mundo vasto mundo
Mais vasto é meu coração

Eu não devia te dizer
Mas essa lua
Mas esse conhaque
Botam a gente comovido como o diabo





E vamos à festa...

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Alegria, alegria nos olhos verdes da mulata, assim falou Jacaré com Noel Rosa para a festa de sexta - 24 de fevereiro comemorando 6768 anos arte


é Alegria, Alegria 

  Baile infantil às 17 horas

 Baile adulto às 20 horas

numa deliciosa batalha de confetes
sob a luz da dindinha Lua

Visconde de Abaeté com Torres Homem
Vila Isabel

 

São cinquentas anos do Tropicalismo digeridos antropofagicamente, pois só a antropofagia nos une, com Noel Rosa,  Semana de Arte Moderna e Woodstock.

Jacaré vai aos números em anos arte somando 1922 da Semana de Arte Moderna, 1967 do Tropicalismo, 1969 do Woodstock 1910 de Noel Rosa são pois:

                 Sete mil, setecentos e sessenta oito anos arte
                        ao                                                  som                   de

Caminhando contra o vento                    O sol se reparte em crimes,
Sem lenço, sem documento                    Espaçonaves, guerrilhas
No sol de quase dezembro                      Em cardinales bonitas
Eu vou                                                     Eu vou
Em caras de presidentes                            Por entre fotos e nomes
Em grandes beijos de amor                        Os olhos cheios de cores
Em dentes, pernas, bandeiras                    O peito cheio de amores vãos
Bomba e brigitte bardot                             Eu vou
O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou

Por que não, por que não



Ela pensa em casamento                                 Eu tomo uma coca-cola  
E eu nunca mais fui à escola                           Ela pensa em casamento
Sem lenço, sem documento,                           E uma canção me consola
Eu vou                                                             Eu vou

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome sem telefone
No coração do brasil



Ela nem sabe até pensei                     Sem lenço, sem documento
Em cantar na televisão                       Nada no bolso ou nas mãos
O sol é tão bonito                                Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou                                                 Eu vou

Por que não, por que não...

E um curioso passante perguntou ao Jacaré:

- O que tem Noel Rosa a ver com a Tropicália ?
- Tudo, respondeu Jacaé sem mais delongas

Noel é como a Mangueira, não tem explicação como cantou Clementina de Jesus, que Noel a considera uma grande tropicalista.


Vista assim do alto,
Mais parece o céu no chão.
Sei lá,
Em Mangueira a poesia
feito o mar se alastrou,
E a beleza do lugar...
Pra se entender, tem que se achar,
que a vida não é só isso que se vê,
é um pouco mais.
Que os olhos não conseguem perceber,
E as mãos, não ousam tocar,
E os pés, recusam pisar.


Reparem o verde e rosa em Noel


Sei lá, não sei, sei lá, não sei lá...
Só sei que toda a beleza de que lhes falo,
Sai tão somente do meu coração.

Em Mangueira a poesia,
Num sobe e desce constante,
Anda descalço ensinando,
Um modo novo da gente viver,
De cantar, de chorar, de sofrer.

Sei lá, não sei, sei lá, não sei lá,
A Mangueira é tão grande
Que nem cabe explicação.


Dando os trâmites por findos, Jacaré exalta a mulata que alguns blocos da Liga das Chatices e Caretices resolveram retirar de seus repertórios:

- Salve a mulata ! Ala la ô !


Chega de pré conceito, amar é preciso, assim Jacaré leu o belo  artigo da historiadora Lita Chastan, na página de Lígia Benevides.

 "História da Península Ibérica, que a palavra mulata é corruptela do termo árabe muwallad (mualad, mulad, mulata).
 .
Muwallad, mualad, mulad, mulata. Palavra doce e musical."


Caribé


Cantemos pois, tropicaliamente, OS OLHOS VERDES DA MULATA, com Caetano e Gil em Tropicália


Sobre a cabeça os aviões
Sob os meus pés, os caminhões
Aponta contra os chapadões, meu nariz

Eu organizo o movimento
Eu oriento o carnaval
Eu inauguro o monumento
No planalto central do país

Viva a bossa, sa, sa

Viva a palhoça, ça, ça, ça, ça

“La mulata Cartagenera”, 1940,
 de Enrique Grau Araújo


O monumento é de papel crepom e prata
Os olhos verdes da mulata
A cabeleira esconde atrás da verde mata
O luar do sertão


O monumento não tem porta
A entrada é uma rua antiga,
Estreita e torta
E no joelho uma criança sorridente,
Feia e morta,
Estende a mão

Viva a mata, ta, ta

Viva a mulata, ta, ta, ta, ta


No pátio interno há uma piscina
Com água azul de Amaralina
Coqueiro, brisa e fala nordestina

Lan, do acervo pessoal de um jacarense

E faróis
Na mão direita tem uma roseira
Autenticando eterna primavera
E no jardim os urubus passeiam
A tarde inteira entre os girassóis

Viva Maria, ia, ia
Viva a Bahia, ia, ia, ia, ia

No pulso esquerdo o bang-bang
Em suas veias corre muito pouco sangue
Mas seu coração
Balança a um samba de tamborim

Emite acordes dissonantes
Pelos cinco mil alto-falantes
Senhoras e senhores
Ele pões os olhos grandes sobre mim

Gabriela, Sônia Braga, Aquarius
Prêmio Ibero-Americano de Cinema Fênix

Viva Iracema, ma, ma
Viva Ipanema, ma, ma, ma, ma

Domingo é o fino-da-bossa
Segunda-feira está na fossa
Terça-feira vai à roça

Porém, o monumento
É bem moderno
Não disse nada do modelo
Do meu terno
Que tudo mais vá pro inferno, meu bem
Que tudo mais vá pro inferno, meu bem

Viva a banda, da, da
Carmen Miranda, da, da, da da.

FORA TEMER, assim falou Jacaré


Aquarius: a resistência é um lugar solitário

O filme de Kleber Mendonça Filho é a história de uma mulher que se recusa, ponto. E assim resistimos; sozinhas, mas todas juntas.