quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Jacaré marcha com as margaridas


jacaré, atento a preservação do ambiente, soma-se à Marcha das Margaridas das trabalhadoras rurais em Brasília - terra produtiva com economia familiar é uma forma de preservar o ambiente

além do mais, como vazou a realização da festa da Primavera do Jacaré em 17 de setembro, faz-se necessária uma conversa pois com mais setenta mil convidadas talvez nossa esquina precise ser alargada.



as margaridas são ouvidas assim também na voz das árvores de Manuel Bandeira:

Acordo à noite assustado.
Ouço lá fora um lamento…
Quem geme tão tarde? O vento?
Não. É um canto prolongado,
- Híno imenso a envolver toda a montanha;
São em música estranha
Jamais ouvida,
As árvores ao luar que nasce e as beija,
Em surdina cantando,
Como um bando
De vozes numa igreja:
Margarida! Margarida!



e as crianças cantam a margarida assim

Onde está a Margarida?
Olê, olê, olá!
Onde está a Margarida?
Olê, seus cavaleiros!
Ela está no seu castelo,
Olê, olê, olá!
Ela está no seu castelo,
Olê, seus cavaleiros!



Apareceu a Margarida,
Olê, olê, olá!
Apareceu a Margarida,
Olê, seus cavaleiros!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

João Guerreiro, mais um poeta da Vila

Jacaré não costuma publicar a vida particular dos jacarenses, visitantes e citados mas essa poesia do João Guerreiro para o Sergio Rosa merece ganhar o mundo assim como cantou Gonzaguinha : seu menino desceu o São Carlos pegou o mundo e saiu.

Vincenzo Cabianca, sec XIV


Menestrel de Vila Isabel
Solitário ser de tantos amigos,
não esqueça que estamos,
como sempre, juntos.
Como vários de nós,
habitas a esquina
destilando fantasmas,
vivendo a complexidade
de nossos vários papéis
neste único ser fragmentado
e indivisível.
Já personagem deste Jacaré,
o papel alegórico que assumistes
é, também, a própria alegoria
da cultura: diversa, popular,
erudita, intrigante e instigante,
dicotômico e multifacetado.
Contradição? Sempre!
Mas, sem perder a ternura.
Salve, salve, Sergio,
o Rosa.
Feliz dia!


Di Cavalcante, 1928


e Dudu Nobre com MV Bil chegam ao Jacaré com o Singelo Menestrel

Lalalaia lalalaia lalalalalalalalalalala
Grande festa no barraco do nêgo joão
Pandeiro, cavaco, viola
Sob a luz do lampião (grande festa.......do lampião)
De alegria dona maria chorava
Para o bebê que nascia
Aquela gente cantava
Mesmo a pouco leite, a pouco pão
Aquele bebê foi crescendo
Vencendo as barreiras desse mundo cão
Fascinado por pandeiro, cavaquinho e violão
Com suaves sinfonias no piano do patrão
Aquele neguinho que andava
Descalço na rua e ao leo
Assobiando beethoven, chopin
Porém preferindo noel
Foi assim se trasformando
Num singelo menestrel
No barraco na favela
Pra esquecer o desamor
Escrevendo à luz de vela
Mais uma canção de amor
La la la ia

de saída, Jacaré pegou um bonde e passou no Boulevard

domingo, 14 de agosto de 2011

Vila Isabel, talvez quase igual mas a mais bela

... manhã de domingo é na Vila, assim falou Jacaré. com maritacas fazendo dançar o galho do arvoredo onde subirá a onça que virá na festa da Primavera



e o rinoceronte acima, o que tem a ver?

- Tem a ver com tudo pois Jacaré não discrimina o reino animal real e o das telas, como essa de Dali, muito presente nesse ambiente quase virtual

e daí que o Bloco Larga a Onça, Alfredo trará sua onça em 17 de setembro para receber a Primavera em seu equinócio



e se a onça virá no equinócio, esse possivelmente trará ser equinos pelas mãos de Picasso, ao som da cavalaria rusticana



Jacaré, poético e modernista, encerra esse clichê com Manuel Bandeira no Rondó dos Cavalinhos

Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
Tua beleza, Esmeralda,
Acabou me enlouquecendo.

Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
O sol tão claro lá fora
E em minhalma — anoitecendo!

Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
Alfonso Reys partindo,
E tanta gente ficando...

Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
A Itália falando grosso,
A Europa se avacalhando...

Os cavalinhos correndo,
E nós, cavalões, comendo...
O Brasil politicando,
Nossa! A poesia morrendo...
O sol tão claro lá fora,
O sol tão claro, Esmeralda,
E em minhalma — anoitecendo!



e como tudo acaba em samba, Jacaré foi com Paulinho da Viola fazer uma fé nos cavalos

Dei pinote adoidado
Pedindo emprestado e ninguém emprestou
Fui no seu Malaquias
Querendo fiado mas ele negou
Meu ordenado apertado, coitado, engraçado
Desapareceu
Fui apelar pro cavalo, joguei na cabeça
Mas ele não deu

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Na Praça Tiradentes começa a decoração da festa



Essa foto tirada pelo jacarense Pardal dá o tom do colorido para festa da Primavera do Jacaré e sobre a qual temos boas alvíssaras: já foi dado andamento ao papel para liberação da rua e Jacaré conta que ele não encontre tesoura e traga a pedra enrolada na mão



e se somos o papel a voar, antes de passar lá na Tiradentes para ver o Vale tudo musical no Carlos Gomes, Jacaré da uma ouvidinha no Tim Maia

Olha só o que o vento faz com o papel
E traga ele a notícia que for
Vai voar... voar...
É assim quando se gosta de alguém
Não se consegue mais impedir
Que o amor
Faça o mesmo com o coração
Traga ele que razões trouxer
Nem o tempo sabe mais dizer
Quando é ontem, hoje ou amanhã.
Olha, só, como a gente nem sabe
Onde está
Nós somos o papel a voar
Contemplando este mundo
Tristonho, profundo
Olha bem, porque quando se tem
Tanto amor
A gente pode ter muito mais.
Voa... voa... voa...voa...



saindo do Carlos Gomes,lá foi Jacaré ao João Caetano para cutir a Broadway no “BABY O MUSICAL”, tomando um goró com Di Cavalcanti no aniversário do Imperador em mil oitocentos e tal

e a noite do Jacaré e Di continua na Estudantina Musical



sem grana p'ra voltar p'ra casa Jacaré, depois de traçar um DuDu duplo num pé sujo, dormiu num banco da praça cantarolando Noel com a alegria dos bêbados


O orvalho vem caindo, vai molhar o meu chapéu
e também vão sumindo, as estrelas lá do céu
Tenho passado tão mal
A minha cama é uma folha de jornal

Meu cortinado é um vasto céu de anil
E o meu despertador é o guarda civil
(Que o dinheiro ainda não viu!)



domingo, 7 de agosto de 2011

Em 2010 Jacaré falou, a festa vira sonho com amigo Flávio em 2011

Esse domingo começou com a mensagem de João Guerreiro de que Flávio Loureiro saiu. Jacaré chorou e se lembrou desse sonho :



"domingo, 19 de setembro de 2010:

Por que, a fala conjugada no passado passou o presente?

- Porque a festa começou e dela não se sairá, pois ela entrou na nossa memória e poderá virar sonho. Um brinde ao Flávio Loureiro"





Flávio, amigo das causas boas, dos carinhos ... sabe-se lá do quê mas e bom, junta lá e nos espere

Jacaré reverencia com um gurufim interno de todos nós

E com sambistas do tope de João Nogueira leva o gurufim


Linguagem do Morro Padeirinho e Ferreira dos Santos



Tudo lá no morro é diferente
Daquela gente não se pode duvidar
Começando pelo samba quente
Que até um inocente sabe o que é sambar
O outro fato muito importante
E também interessante
É a linguagem de lá
Baile lá no morro é fandango
Nome de carro é carango
Discussão é bafafá
Briga de uns e outros
Dizem que é burburim
Velório no morro é gurufim

Erro lá no morro chamam de vacilação
Grupo do cachorro em dinheiro é um cão
Papagaio é rádio
Grinfa é mulher
Nome de otário é Zé Mané

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Jacaré e Guimarães - viver é perigoso

Viver é perigoso nas Veredas e no Velho Oeste: "Tem o final mas o final
é meio impróprio e eu não digo, volte na próxima semana se quiser ser meu amigo. Eu de cowboy fico gaiato mas não fujo do perigo. Assim falou Kid Morengueira



Jacaré lê Grandes Sertões Veredas ao som de Egberto Gismonti

Faz um intervalo e se vê dentro dele mesmo com Luis de Camões e Gregório Matos

Inimigo de mim

Mote

De que me serve fugir
De morte, dor e perigo,
Se me eu levo comigo?

Tenho-me persuadido,
Por razão conveniente,
Que não posso ser contente,
Pois que pude ser nascido.
Anda sempre tão unido
O meu tormento comigo,
Que eu mesmo sou meu perigo.




Queixa de Poeta (para ouvir bebendo um vinho do porto)

Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.

O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ornadas,
Do que anda só o engenho mais profundo.

Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir, que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.

O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo o mar de enganos
Ser louco cos demais, que ser sisudo.



Jacaré sai da biblioteca e, ainda meio balouçante, sai a procurar os jacarenses para assuntar da organização mas nada encontra...

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Thetis desafia Adamastor e virá à festa da Primavera

Jacaré foi surpreendido com a correspondência abaixo:

"Sou Tetis, nereida desde há muito, e perdi a paciência com Adamastor se fazendo de vítima só porque meio pai o transformou em pedra depois dele tentar me beijar à força.

Não o aceitei por sua feiura e sim por meu saber que ele viria a se envolver com Luz del Fuego e no Brasil, terra onde nunca estive.

Refeita a verdade, espero um dia ser convidada pelo Jacaré para uma de suas festas profanas.

Tetis, a Nereida"


Para mostrar sua disposição em participar da festa, Thetis já foi vista no Jardim Botânico


e no Chorinho da Praça São Salvador

Bocage parece não ver Adamastor com bons olhos mas deixa com Vasco da Gama, o vice, a culpa pelas malvadezas

Adamastor cruel! De teus furores
Quantas vezes me lembro horrorizado!
Ó monstro! Quantas vezes tens tragado
Do soberbo Oriente os domadores!

Parece-me que entregue a vis traidores
Estou vendo Sepúlveda afamado,
Co'a esposa e co'os filhinhos abraçado,
Qual Mavorte com Vénus e os Amores.

Parece-me que vejo o triste esposo,
Perdida a tenra prole e a bela dama,
Às garras dos leões correr furioso.

Bem te vingaste em nós do afoito Gama!
Pelos nossos desastres és famoso.
Maldito Adamastor! Maldita fama!

Fora dessa celeuma, Noel que viu Adamastor como navio continua na escolha do tecido florido para vestir na festa.

Opção 2:


Quem sabe uma mandala como a de Adelina, do Museu do Incosnciente, possa ser a roupa de Noel na Priamvera:


“Estava prisioneiro/ dos vossos dias e das vossas noites,/ e busquei uma porta/ para dias mais vastos / e mais vastas noites.” Khalil Gibran- O Louco